terça-feira, 18 de junho de 2019

Corrida ao ouro – AI race



Do quase nada ao mais que tudo num instante.

A inteligência artificial, AI para familiares, amigos e conhecidos, que vão usando a sigla inglesa correspondente a Artificial Intelligence ao jeito de nickname, passou de ficção cientifica a ciência e vai a caminho do soundbite, com a rapidez que a carateriza.

Está-se numa espécie de corrida ao ouro, com cães-lobos no Alasca, como o Buck de Jack London, mas em que o bem precioso que se persegue é a AI. Isto porque a inteligência humana depressa percebeu que a inteligência artificial lhe dá super-poderes e está com todo o vigor a fazê-la saltar dos livros de ficção científica para a realidade.

O momento de viragem foi a eficácia do machine learning, em que a máquina aprende “sozinha”, desenvolvendo camadas e ligações na sua rede neural ou neuronal. Esta aprendizagem pode ser feita com outra(s) máquina(s), sendo essencialmente feita através dos ensinamentos da humanidade em geral, pedagógica por instinto ou natureza. Todos nós, que usamos smartphones e vários dispositivos digitais ensinámos o Google a falar e a traduzir, o Facebook a compreender relações humanas, a Amazon a saber o que compramos e vamos a cada momento mapeando o mundo com fotos, opiniões sobre comida e lazer, informação sobre o que consumimos, onde vamos, o que pensamos. A AI põe-se a registar e a pensar sobre tudo isso e aprende. Depois, interage com outras AI’s e aprende ainda mais.

Chegámos agora, cerca de cinco anos após os primeiros sinais significativos, ao ponto em que começamos a achar que estamos a perder o controlo. É nesta altura que chegam as normas. É curioso que as primeiras sejam as chamadas “leis de Azimov”, um escritor que se preocupou em estabelecer regras básicas intransponíveis para os robots que inventou.

Atualmente prolifera a preocupação e a criação de regras. Diz Yochai Benkler de Harvard, que sabe do que fala, que “Technology companies are running a campaign to bend research and regulation for their benefit; society must fight back”, acrescentando Edd Gent que “There’s no better way of ensuring you win a race than by setting the rules yourself.”. 

Enquanto a AI não se adiantar numa self-regulation ainda imprevisível e pouco provável, vamos viver tempos de corrida contra o tempo a tentar contê-la e a disciplinar quem a domina.

terça-feira, 21 de maio de 2019

O cérebro da Gulbenkian


Cérebros e robôs”, um dos encontros de mentes diversas, nos diálogos do cérebro que fazem parte da programação complementar da exposição “Cérebro – mais vasto que o céu”, apresentada na Gulbenkian até dia 10 de Junho, levou ao palco do auditório 2 um cientista e um artista. Já não era a primeira vez e, de novo, se percebeu que tanta criatividade provinha de mentes que tinham na curiosidade e na ideia de que os limites existiam para serem forçados alguma semelhança.
O cientista explicou um projeto em que os robôs aprendem uns com os outros, através do movimento. O artista explicou que é o agente de robôs-autores que pintam quadros movendo-se numa tela com canetas.
O artista insistiu em que o interessante era os robôs fazerem o que queriam e não o que queremos. Considera isso positivo, já que o ser humano, como modelo, poderá não ser grande coisa.
O cientista exultou com os progressos dos seus robôs com forma e face crescentemente humanas que, muitos anos depois, caminhavam paulatinamente para a idade de dois anos.
Muito refrescante. Muito emocionante. Grande Gulbenkian, obrigado.

sábado, 6 de abril de 2019

Centauro alado


Depois da vitória no xadrez de Deep Blue, o computador, sobre Garry Kasparov, o humano campeão mundial desse jogo, a humanidade sentiu-se ligeiramente ultrajada.

Alguns resolveram não acreditar, o que é sempre um bom princípio, outros deitaram as mãos à cabeça que continha o cérebro e terão exclamado "Meu Deus, onde é que isto vai parar" e outros disseram que afinal era só um jogo de xadrez, brincadeira de crianças, se fosse um jogo a sério, outro galo cantaria. As pessoas quando ficam espantadas têm uma certa tendência para recorrer a Deus e aos provérbios, já que ambos contém acumulada sabedoria de muito tempo, o que ajuda a pensar o impensável.

A ocorrência da vitória dos bites deu-se em 1997, ainda o milénio não tinha sido dobrado. Vivia-se nessa altura numa saudável eminência do fim do mundo no ano 2000, há muito prevista. Nada que tivesse o atual fundamento já que há 20 anos ainda não era tão evidente até que ponto estávamos a dar cabo do planeta. Por essa altura, acresceu uma, à data moderna, previsão dum simultâneo fim do mundo, por razões de ordem tecnológica relativas à alegada incapacidade dos computadores então existentes, se acertarem com o número 2000 a indicar o ano. Felizmente, ao soarem as doze badaladas e ao surgir 00:00 nos relógios digitais nada aconteceu de mais especial, que o início de um ano novo. A não concretização do fim do mundo nessa data deu oportunidade à humanidade para se continuar a dedicar pessoalmente ao tema com o sucesso que cheias, secas, incêndios, tornados e outros fenómenos meteorológicos extremos demonstram.

A propósito da competição histórica entre Deep Blue e Kasparov, em 29 de julho de 1997, o The New York Times publicava: ''It may be a hundred years before a computer beats humans at Go - maybe even longer,'' said Dr. Piet Hut, an astrophysicist at the Institute for Advanced Study in Princeton, N.J., and a fan of the game. '.

Demorou um bocadinho menos. Em 2016 um computador venceu o campeão mundial de Go. O homem do Go, em termos gerais, não era muito diferente do homem do Xadrez. Ambos, aliás, não eram muito diferentes do homem que descobriu o fogo ou a roda. A evolução da espécie humana é bastante lenta e, em milhões de anos pouco mais conseguiu que começar a perder os dentes do siso. O computador, pelo contrário, evoluir extraordinariamente. Passou de máquina programada pelo homem a máquina que, depois disso, consegue aprender sozinha. De soma e processamento de quantidades enormes de dados, no caso do xadrez de jogadas registadas, passou a inventar novas jogadas que não se conheciam. Passado algum tempo nisto, venceu no Go.

Após a experiência que causou embaraço à espécie humana, criaram-se equipas de centauros, compostas por humanos e AI (Artificial Inteligence). Parece que uns e outros cometem erros de natureza diferente, por isso a colaboração poderá ser, além de inevitável, frutuosa.

A figura do centauro para representar esta nova simbiose mostra que constelações, mitos e clássicos continuam tão aptos como sempre estiveram para integrar o novo. Acrescentar à equação Pégaso dar-lhe-ia asas. O que faria de cabeça/cérebro num cavalo/homem/alado fica em aberto. Os deuses devem estar a tratar do assunto, com a eficácia que têm demonstrado.

terça-feira, 12 de março de 2019

As grandes coisas nascem sempre pequenas



“Suppose all the information stored on computers everywhere were linked. Suppose I could program my computer to create a space in which everything could be linked to everything.”. 

Isto, à partida só um “suponhamos”, é o que imaginou, em 1989, Tim Berners-Lee, inventor da World Wide Web, para resolver um problema de partilha de informação entre cientistas. 
Tinha um chefe que respondeu “Vague but exciting.” à sua proposta e o autorizou a desenvolver um modesto modelo para os físicos nucleares do laboratório da Suíça. Em 1991, a rede expandiu-se para servidores externos e o mundo mudou.
Foi há 30 anos, no CERN, merece hoje um doodle da Google, uma das mais importantes distinções da atualidade pesquisável e conectada, garantia de divulgação por milhões, biliões ou sabe-se lá quem mais.
A Web (com a internet iniciada nos anos 60) é a base dos fenómenos de digitalização atuais, assentes na recolha, partilha e tratamento de informação, num crescendo de smart que poderá, em vários pontos, tornar-se rapidamente num too smart. É o pressuposto de funcionamento da maioria das sociedades e da criação de novas sociedades digitais que vivem precisamente nas “redes sociais”. Está subjacente à inteligência artificial que nos vai, de facto, governando.
As grandes coisas, como as grandes pessoas, nascem sempre pequenas.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

2060 AI vs Humans result: AI 1 - Humans 0


A 2017 survey of more than 350 AI researchers predicts AI could be a better driver than humans within ten years. By the middle of the century, AI will be able to write a best-selling novel, and a few years later, it will be better than humans at surgery. By the year 2060, AI may do everything better than us.here.