terça-feira, 21 de maio de 2019

O cérebro da Gulbenkian


Cérebros e robôs”, um dos encontros de mentes diversas, nos diálogos do cérebro que fazem parte da programação complementar da exposição “Cérebro – mais vasto que o céu”, apresentada na Gulbenkian até dia 10 de Junho, levou ao palco do auditório 2 um cientista e um artista. Já não era a primeira vez e, de novo, se percebeu que tanta criatividade provinha de mentes que tinham na curiosidade e na ideia de que os limites existiam para serem forçados alguma semelhança.
O cientista explicou um projeto em que os robôs aprendem uns com os outros, através do movimento. O artista explicou que é o agente de robôs-autores que pintam quadros movendo-se numa tela com canetas.
O artista insistiu em que o interessante era os robôs fazerem o que queriam e não o que queremos. Considera isso positivo, já que o ser humano, como modelo, poderá não ser grande coisa.
O cientista exultou com os progressos dos seus robôs com forma e face crescentemente humanas que, muitos anos depois, caminhavam paulatinamente para a idade de dois anos.
Muito refrescante. Muito emocionante. Grande Gulbenkian, obrigado.

sábado, 6 de abril de 2019

Centauro alado


Depois da vitória no xadrez de Deep Blue, o computador, sobre Garry Kasparov, o humano campeão mundial desse jogo, a humanidade sentiu-se ligeiramente ultrajada.

Alguns resolveram não acreditar, o que é sempre um bom princípio, outros deitaram as mãos à cabeça que continha o cérebro e terão exclamado "Meu Deus, onde é que isto vai parar" e outros disseram que afinal era só um jogo de xadrez, brincadeira de crianças, se fosse um jogo a sério, outro galo cantaria. As pessoas quando ficam espantadas têm uma certa tendência para recorrer a Deus e aos provérbios, já que ambos contém acumulada sabedoria de muito tempo, o que ajuda a pensar o impensável.

A ocorrência da vitória dos bites deu-se em 1997, ainda o milénio não tinha sido dobrado. Vivia-se nessa altura numa saudável eminência do fim do mundo no ano 2000, há muito prevista. Nada que tivesse o atual fundamento já que há 20 anos ainda não era tão evidente até que ponto estávamos a dar cabo do planeta. Por essa altura, acresceu uma, à data moderna, previsão dum simultâneo fim do mundo, por razões de ordem tecnológica relativas à alegada incapacidade dos computadores então existentes, se acertarem com o número 2000 a indicar o ano. Felizmente, ao soarem as doze badaladas e ao surgir 00:00 nos relógios digitais nada aconteceu de mais especial, que o início de um ano novo. A não concretização do fim do mundo nessa data deu oportunidade à humanidade para se continuar a dedicar pessoalmente ao tema com o sucesso que cheias, secas, incêndios, tornados e outros fenómenos meteorológicos extremos demonstram.

A propósito da competição histórica entre Deep Blue e Kasparov, em 29 de julho de 1997, o The New York Times publicava: ''It may be a hundred years before a computer beats humans at Go - maybe even longer,'' said Dr. Piet Hut, an astrophysicist at the Institute for Advanced Study in Princeton, N.J., and a fan of the game. '.

Demorou um bocadinho menos. Em 2016 um computador venceu o campeão mundial de Go. O homem do Go, em termos gerais, não era muito diferente do homem do Xadrez. Ambos, aliás, não eram muito diferentes do homem que descobriu o fogo ou a roda. A evolução da espécie humana é bastante lenta e, em milhões de anos pouco mais conseguiu que começar a perder os dentes do siso. O computador, pelo contrário, evoluir extraordinariamente. Passou de máquina programada pelo homem a máquina que, depois disso, consegue aprender sozinha. De soma e processamento de quantidades enormes de dados, no caso do xadrez de jogadas registadas, passou a inventar novas jogadas que não se conheciam. Passado algum tempo nisto, venceu no Go.

Após a experiência que causou embaraço à espécie humana, criaram-se equipas de centauros, compostas por humanos e AI (Artificial Inteligence). Parece que uns e outros cometem erros de natureza diferente, por isso a colaboração poderá ser, além de inevitável, frutuosa.

A figura do centauro para representar esta nova simbiose mostra que constelações, mitos e clássicos continuam tão aptos como sempre estiveram para integrar o novo. Acrescentar à equação Pégaso dar-lhe-ia asas. O que faria de cabeça/cérebro num cavalo/homem/alado fica em aberto. Os deuses devem estar a tratar do assunto, com a eficácia que têm demonstrado.

terça-feira, 12 de março de 2019

As grandes coisas nascem sempre pequenas



“Suppose all the information stored on computers everywhere were linked. Suppose I could program my computer to create a space in which everything could be linked to everything.”. 

Isto, à partida só um “suponhamos”, é o que imaginou, em 1989, Tim Berners-Lee, inventor da World Wide Web, para resolver um problema de partilha de informação entre cientistas. 
Tinha um chefe que respondeu “Vague but exciting.” à sua proposta e o autorizou a desenvolver um modesto modelo para os físicos nucleares do laboratório da Suíça. Em 1991, a rede expandiu-se para servidores externos e o mundo mudou.
Foi há 30 anos, no CERN, merece hoje um doodle da Google, uma das mais importantes distinções da atualidade pesquisável e conectada, garantia de divulgação por milhões, biliões ou sabe-se lá quem mais.
A Web (com a internet iniciada nos anos 60) é a base dos fenómenos de digitalização atuais, assentes na recolha, partilha e tratamento de informação, num crescendo de smart que poderá, em vários pontos, tornar-se rapidamente num too smart. É o pressuposto de funcionamento da maioria das sociedades e da criação de novas sociedades digitais que vivem precisamente nas “redes sociais”. Está subjacente à inteligência artificial que nos vai, de facto, governando.
As grandes coisas, como as grandes pessoas, nascem sempre pequenas.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

2060 AI vs Humans result: AI 1 - Humans 0


A 2017 survey of more than 350 AI researchers predicts AI could be a better driver than humans within ten years. By the middle of the century, AI will be able to write a best-selling novel, and a few years later, it will be better than humans at surgery. By the year 2060, AI may do everything better than us.here.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018